quinta-feira, 29 de abril de 2010

Oráculo



Consultando o I Ching ontem, obtive duas respostas, onde vi várias palavras chave em cada uma das duas:





Na primeira, que simbolizava Terra/Trovão:
PREPARAÇÃO
Precauções
Contentamento
Júbilo

Na segunda, que simbolizava Trovão/Terra:
RETORNO
Renovar
Retroceder
Renascer

Nunca tinha recebido duas respostas desse jeito, com uma o inverso da outra. No mínimo curioso. Nada é por acaso.

Como relaxar diante de signos tão profundos?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sleepless




A insônia é uma escolha?


Só consigo dormir quando estou exausta
Porque sei que, deitada e acordada,
tenho pesadelos lúcidos
E que no começo da noite dúvidas palpitam
E pensamentos me perseguem
E o sono se torna pânico.

Talvez eu escolhi justamente por não ter outra escolha.
Mas
Eu queria acordar junto com o sol.
Quero a luz fraca na hora de acordar
Quero a brisa fresca da janela
Quero dormir sem precisar do remédio
Quero descansar sem precisar daquele livro.

Preciso parar de pensar
Preciso parar de temer
Preciso voltar a confiar
Preciso parar de madrugar


Não quero essa necessidade de ter sem precisar.

domingo, 25 de abril de 2010

Muito mais que qualquer coisa

Não sei que loucura é essa que me faz acreditar que um dia ficarei suficientemente plena.

Nem sei se minha consciência é mais louca do que minha inconsciência, que me diz tantas coisas durantes os sonhos que acordo sem conseguir acreditar sequer que despertei.

Que um dia as coisas poderiam acontecer do jeito que podem ser previstas ou que talvez eu tenha poder pra isso, ou que um dia talvez minhas mãos percam seus movimentos vagos e consigam traçar um dia algo que não seja tão, digamos, século XXI, vazia de significado e ausente de sentimento...

Quero dizer que apesar disso, os medos continuam nutrindo boa parte da minha inspiração, que o desespero corrompe as entranhas da minha sanidade(que talvez nunca tenha existido)...

Quero esse tempo livre pra desenhar traços livres, pra me livrar dessas amarras morais estúpidas, dessa insônia que me corrói.

Nesse tempo livre pressinto a Vertigem me derrubando, mas dessa vez pra realidade... que talvez queira me mostrar que a vida é muito mais do que esse maldito AUTO-BOICOTE.

Muito mais que qualquer coisa. Tomara.

Do Abismo às Montanhas





O deserto não é vazio.
Ele me completa como uma primavera silenciosa
Em seus doces extremos
O vento aquece os pulmões durante dia
E gela a pele durante noite...

Posso ouvir nesse silêncio
O brotar da miúda flor
Como uma singela esperança
Que um dia poderei alcançar
E ver em seu cume
O sol despertar.

domingo, 17 de janeiro de 2010

No way back

La Ley del Retiro





O som bate em três tempos...
Ela me explicava sobre todos aqueles pensamentos.
Eram metáforas, gestos, expressões, olhares, o jeito que os lábios se mexiam... uma explosão de sensações, mas todos com uma lentidão rítmica, profunda, frustrada.
Era uma valsa.
O cachorro dormia profundamente sobre o carpete púrpura. A chuva, nem forte nem fraca, parecia acompanhar suas falas, tornando a atmosfera ébria.
Maturidade sufocante, e mesmo assim etérea. Parecia que ela não estava ali, que fazia parte do ambiente. Podia vê-la por todos os lugares. Sua voz não parecia sair dos labios, e sim das paredes, das janelas, do abajur, da cortina, das plantas, em coro. Estavam todos dando seu parecer, seu depoimento, todos cúmplices.
Mas eu não conseguia entendê-los, os pensamentos. Me perdia em sua confusão. Agora, como ela, estava sem os pés no chão. Como ela costuma falar... "caindo pelas pernas".
Eu precisava de algo, mas não sabia. Ou melhor, podia até saber que precisava, mas não sabia o quê.
Senti meu corpo todo trincar, estilhaçar, esfarelar e os sedimentos da minha confusão fazendo parte agora do ar daquela sala. Dela.
Então, ela parou de falar e olhou para a minha poeira flutuante... como se já esperasse por isso.
Até agora, era apenas mais um.
Logo depois, alguém se sentou onde eu estava anteriormente. E ela começou a falar novamente de seus pensamentos, no mesmo ritmo. Falava baixo, mas logo senti as vibrações. Agora eu fazia parte da sala, e vibrava juntos dos outros objetos.
Percebi então que estava perdido naquela simbiose irreversível.

Agora conseguia entendê-la...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Watching and Waiting



Você ainda consegue se jogar como antes?
Ainda consegue pisar com segurança?
Consegue caminhar sem se perder?
Quem souber, por favor, guie-me novamente.
Observar e Esperar.
Disso eu tenho certeza: está em minhas mãos.
Minha única e pura certeza.
Minha cautela.
Estou sempre pronta.
Sem ressentimentos, mas sempre olhando para trás.
Preciso enxergar direito.
Preciso me encontrar. (rir pra não chorar?)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

jardim




Aqui. Nós.
Só isso.
Tudo isso.

Eu espero. Nunca tive pressa.
E o girassol não pode desviar seus olhos da luz.
Você me ensinou isso.
Estou aprendendo a lidar com as raízes
e com a terra úmida e gelada.
Só tenho medo das minhocas.

Tem que ser assim.
Tudo, só, sós.
Porque eu não sei perder.
Você também me ensinou isso.

Não saio de mim
que odeio me perder.
Olho pra lá e pra cá
e outros olhos me cegam.
Outras vozes me calam
e outros sorriso me sufocam.

Vou ficar por aqui mesmo...
Quero pisar sem medo de cair.
Já te ensinei a voar?